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As doações de sangue, órgãos e medula óssea são fundamentais para permitir que milhares de pessoas tenham uma nova chance de viver. Além disso, existem diversas vantagens de ser um doador, algumas garantidas em lei, outras oferecidas por programas estaduais ou institucionais, e outras ainda em debate público.
De descontos em eventos culturais à cobertura de despesas médicas, os benefícios foram criados não apenas como incentivo, mas como forma de reconhecer a importância de um gesto que salva vidas todos os dias.
A cada dois minutos, alguém no Brasil precisa de sangue. A cada dia, novos pacientes aguardam na fila por um órgão ou por um transplante de medula óssea.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, somente 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente. Em paralelo, atualmente há mais de 65 mil pessoas esperando um órgão na fila de transplantes (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos – ABTO). Na doação de medula óssea, mesmo com mais de 5,4 milhões de voluntários cadastrados no REDOME, a compatibilidade pode ser tão rara quanto 1 em 100 mil, segundo o INCA.
Esses números mostram o tamanho da responsabilidade, e da urgência, de incentivar a doação em todas as suas formas. Quanto mais pessoas aderem, mais vidas podem ser salvas.
Doadores de sangue que são empregados via CLT possuem, por lei (Art. 473, inciso IV da CLT) o direito de um dia de folga remunerada por ano, para que seja possível realizar a doação.
Além disso, em alguns estados, como Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, doadores de sangue também podem ter até 50% de desconto em eventos culturais.
No Paraná, por exemplo, esse benefício é garantido por meio da lei estadual 13.964/2002, para quem possui cadastro em hemocentros ou bancos de sangue de hospitais paranaenses. Além disso, a lei 19.293/2017 também concede a isenção de taxas de inscrição em concursos públicos e processos seletivos realizados no âmbito dos Poderes do Estado.
No Rio Grande do Sul, esse benefício também é válido, mas além do cadastro, também é necessário uma quantidade mínima de doações. Por isso, o ideal é sempre consultar a legislação do Estado onde você realiza doações.
Além disso, em diversos municípios, o doador pode ter prioridade em campanhas internas de vacinação, e inclusão em programas que concede descontos em produtos e serviços
A doação de medula óssea exige cadastro prévio no REDOME e disponibilidade para ajudar pacientes com doenças graves, como leucemias e linfomas. O Brasil possui uma das legislações mais protetivas para o voluntário.
Além disso, todo processo médico relacionado à doação é 100% coberto pelo SUS, incluindo:
Esse suporte total reforça a segurança e a tranquilidade do doador.
Assim como ocorre com o sangue, alguns estados estendem:
As regras variam, mas muitas regiões utilizam esses benefícios como incentivo à manutenção do cadastro e participação ativa.
Os doadores de órgãos também possuem diversos incentivos e benefícios, que valorizam a solidariedade.
No caso de quem realiza a doação em vida, também há a conceção do afastamento qualquer prejuízo salarial durante:
O afastamento é garantido pela Lei 9.434/1997. O Estado também garante, via SUS, o custeio de todos os procedimentos, exames e etapas, dentre eles:
Inclusive, cabe um alerta. Nenhum custo médico é repassado ao doador.
Caso a pessoa que doou órgãos receba qualquer tipo de comunicação via telefone, e-mail ou até mesmo pessoalmente sobre custos, é fundamental denunciar para as autoridades.
A cobrança é totalmente indevida, ilegal e criminosa.
A grande maioria das doações ocorre de doadores falecidos. Esse ato pode salvar até oito vidas e beneficia dezenas de pacientes com tecidos e córneas.
Nessas situações, os familiares do doador que precisam de suporte e benefícios.
Pensando justamente nisso, alguns munícipios já sancionaram leis que visam auxiliar a família nesse momento delicado, e após a decisão solidaria de doar os órgãos do ente falecido.
Em Curitiba, por exemplo, a Lei Municipal nº 14.480 garante a isenção do pagamento do serviço funerário municipal aos usuários do sistema que comprovarem a doação de órgãos do parente ou familiar sepultado na cidade.
O serviço inclui urna tipo ou modelo nº 8, remoção e transporte do corpo, velório e sepultamento.
Ainda não existe uma legislação nacional referente a esse tipo de vantagem, mas assim o como em Curitiba, outras cidades também já vêm adotando o benefício.
Atualmente, o que existe a nível nacional para dar suporte a doadores e famílias de pessoas doadoras, é Política Nacional de Conscientização e Incentivo à Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos, que fortalece ações educativas.
A doação, seja de sangue, de medula ou de órgãos, é um gesto de valor inestimável. Cada pessoa que decide doar está não apenas salvando vidas, mas fortalecendo uma rede de solidariedade essencial para o país.
Hoje, os legais e institucionais, são uma forma de demonstrar agradecimento por pessoas que praticam essa escolha. Mas nada se compara ao ato de possibilitar que famílias sejam reunidas, que pacientes tenham uma nova chance e que histórias continuem sendo escritas.
Se você já é ou deseja ser doador, é essencial se informar sobre o assunto, mas também, conversar com a família. A escolha de ser doador é uma das formas mais bonitas de transformar empatia em ação.
Quando alguém decide doar, cria-se um ciclo de esperança que continua muito além de si.
Seja um doador.